


Sabe o que é grave? Você tentar ofuscar alguém, com a intenção de brilhar ainda mais. Isso é grave, isso é ridículo. Cada um tem seu brilho, não é verdade? Estamos num só barco, certo? Ninguém tem o direito de entrar num coral gritando, querendo que só sua voz apareça. Todos somos iguais! É difícil demais pra vocês entenderem isso?

Tem sido difícil escrever, ultimamente. Eu sento na minha cama, pego qualquer folha e uma caneta, mas não são mais as palavras que me saem, mas sim, lágrimas. É frustrante. Antes era muito mais simples, muito mais espontâneo. O que aconteceu comigo, que tinha como vida, meus textos? Só sei manchar folhas, com minhas lágrimas agora.
Lágrimas no papel

O dia estava nublado e um pouco frio. Eu estava deitada na cama, enrolada numa coberta velha, olhando para o teto. Levantei-me, fui para o cozinha e resolvi coar um café. Voltei para o quarto segurando a caneca quente, sentei-me na cama, peguei o bloco que sempre escrevo e derramei café nele sem querer. Fiquei parada, vendo todas as coisas que havia escrito sendo manchadas. Por mais estranho que pareça, foi naquela hora que eu entendi, que nem nossas lembranças são eternas. Que por mais bem guardadas e vigiadas que estejam, uma hora ou outra elas fogem.

Aprendendo a ter paciência comigo, a me amar, me valorizar… Pra melhorar, tenho até conseguido me perdoar em algumas falhas.

Minhas idas e vindas não são por minha culpa. Eu acho que tem um outro alguém dentro de mim. Um alguém muito ruim, que me confunde, que me rouba, e depois volta comigo, como se tudo fosse uma brincadeira.
— Um alguém muito ruim vive dentro de mim.